13/12/07
Todo amanhecer
Toda Brisa
Todos os grãos de areia
Todo mar
Toda palavra
Todos os raios de sol
Todo entardecer
Toda noitinha
Toda lua
Todo tempo
Toda vida
Todo sonho
Todo ser
Todo pensamento
Toda canção
Toda criação
Toda poesia
Tudo, tudo
É amar você!
Rubens Oliveira

12/12/07
Alma minha
Que anda pequena
Que de tanto
Nem sabe se valeu a pena
Peleia, peleia e peleia…
Alma minha
Que pede calma
Que de tanto
Não se esgueia
Peleia, peleia e peleia…
Alma minha
Que quer sorriso
Uivar como lobo
Se alcatéia, se alcatéia
Peleia, peleia e peleia…
Rubens Oliveira

9/12/07
Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem achei
De tanto ser, só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê
Quem sente não é quem é
Atento ao que sou e vejo
Torno-me eles e não eu
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu
Sou minha própria paisagem
Assisto a minha passagem
Diverso, móbil e só
Não sei sentir onde estou
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas meu ser
O que segue não prevendo
O que passou a esquecer
Noto à margem do que li
O que julguei que senti
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu
Fernando Pessoa
8/12/07
Preciso dizer-te alguma coisa
Alguma coisa neste momento
Dizer-te, te quero
Dizer-te, tenho saudades
Que te preciso
Que preciso do teu ar
Que preciso do teu olhar
Que preciso do teu rosto bonito
Que preciso da tua presença
Que te preciso colada a mim
Que te preciso pra passear
Cavalgar nos meus sonhos
Delirar na minha paixão
Dar- mos boas gargalhadas
E às vezes até chorarmos juntinhos
Então, tenho tantas coisas a dizer-te
Talvez um obrigado, talvez
São tantas coisas…
Mas neste exato momento
Só preciso dizer, te amo
Mas que bobagem
Isto já o sabe também
Rubens Oliveira

7/12/07

É dezembro, fim de ano
Ainda estou aqui
Neste momento tão oportuno
Posso dizer-me, “sobrevivi”
Nada a reclamar
De ninguém mesmo
Ressentimento
É sentimento feio
Não sinto mais
Magoa de outrora
O que passou, passou
Até nunca mais
As pessoas
Mal a mim
Não fizeram
Só a elas mesmas
To vivendo bem
Sem olhar pra trás
Esqueci todos
Os azares também
Chorei sozinho
Tão grande desventura
Que descabida fritura
Valei-me minha irmã
Depois de um ano
Canto novamente feliz
“Eles passarão…Eu passarinho”
Posso dizer-me, “sobrevivi”
Rubens Oliveira

1/12/07
Tempo
Futuro, passado , presente
Tão somente
Semente das possibilidades
Que passa tão lentamente
Tão letalmente
Que não percebemos
O pulsar da vida
Nem de hoje
Nem de ontem
Nem do amanhã
A linha do tempo
È uma corda bamba
Onde fazemos nossa travessia
De ponta a ponta
Equilibrando cada passada
Do tempo que não temos mais
Rubens Oliveira

Lá
Haverá
Casa
Cajá
Café
Dendê
Pele
Eu e você
Que me diz
“És pancada”
Que conversa fiada
Sou Amadeu
E a porta esta escancarada
“Eu abri
Tu abriste
Ele Abreu”
Curta…
Rubens Oliveira

Logo vou
Por ai afora
E não demora
Encontro á pedra do Drummond
A rosa de Hiroshima do Vinicios
A simutaniedade do Quintana
Logo me entendo
De tudo um pouco
Palhaço, pateta, um poço
Uma linha, uma esperança
Caminha, caminho
“Na certeza do nada
Na incerteza de tudo”
Versinhos, espinhos
Sou louco? Não
…Sou poeta
E pra mim
As nuvens sempre serão de algodão
O sol, balão vermelho
A lua, bolinha de gude
A terra, bola de capotão
E a vida, eternas bolhinhas de sabão!
Rubens Oliveira

Silencio…
È minha respiração profunda
Que pede alguma coisa…Agora!
Alguma palavra
Ou algo bonito
Tal qual
Torta de Laranja
Amiga de vinho
Namorada de chocolate
Enfim…
Pra quem vive assim
Sem fim
A gostar de ti
Diga pra mim
Eu te amo, te amo, te amo
Mais do que
A um bolo de morango
Com chantilly…Agora!
Rubens Oliveira

Risco e rabisco
Me arisco
No traço
No treixo
No pedaço
No eixo
No laço
Do texto
Risco e rabisco
Do parágrafo
Esqueço
Ai rasgo
Amasso
Xingo
Masco
O texto
Risco e rabisco
De novo
Começo
Tropeço
E contesto
A linha
Ta torta, o pensamento pouco
A imaginação morta…Detexto!
Rubens Oliveira
