31/8/08
É sempre esquisito
Tem tufão por ai
Teatro pegando fogo
Terremoto na China
Avião caindo
Imunização fimatose
Campanha eleitoral
Guerra na Geórgia
Brasil sobejando
No pré-sal apressado
Olimpíadas de Pequim
Maurrem Maggi
Cezar Cielo
Sheila do vôlei
Maníaco de Guarulhos
Frio, sol, árido
Árido, sol, frio
Pouca poesia
Mês de cachorro louco
Mente empeçonhada
Chama nos pés
Nas mãos, na pira
Agosto estéril
É sempre assim…
Rubens Oliveira

29/8/08
Portas e entradas
Odor acre das cinzas
Dois cartazes e resto
O espetáculo continua
Apoiado na marquise
Dum corredor em curva
Lugar porta-voz
Acintosos de concreto
As nove musas da arte
As moças do mosaico
Se opõe ao tempo
Aos prédios, ao fogo
Se pode esperar tudo
Do brilho rebelde do caos
Da metrópole morrendo
Da civilização encolhendo
Da rude sutileza da cidade
Do hall de entrada inverno
Oasis urbano ampliando
O jardim de surpresa
Dum beco lateral em febre
Denunciando no mundo
O cinza, o preto, o encalhe
Agora o jeito é rezar
A vida não é só coincidência
Vejo pela janela…
Rubens Oliveira

28/8/08
Capaz, guerreira, sensível
Mulher pra muitos adjetivos
Tem extensão e tem enredo
Tem som, ritmo e emoção
Trás coisas belas no coração
Da poema e da poesia!
Pra você magna amiga
Abraços carinhosos sempre…
Rubens Oliveira

Palas coeva
De touca
Bota cano alto
Cabelo curto
Bolero com capuz
Mini saia com ribana
Cinto de couro
Silk, tatuagem e batom
Vaporosa tentação
Da estação de isk!
Rubens Oliveira

12/8/08
Bem que te aprazei
Pra não ir embora assim
Sem se despedir de mim
Sem ao menos me ouvir
Foi muito triste
Poderia não ter sido
Se tivesse me ouvido
Me concedido atenção
Nem parecia seu namorado
E eterno apaixonado
Não me disse suas razões
Apenas partiu sem ensejo
Ainda aguardei que viesse
Que um dia chegasse
E meu coração confortasse
Mesmo que não mais me amasse
O tempo correu e não aconteceu…
Rubens Oliveira

11/8/08
Em meu silencio âmago
Imergi na vida
Ao encontro de sinfonia
Querendo a verdade
Sem ferimentos
A bondade
Sem agressividade
Você
Sem sofrimento
Rubens Oliveira

8/8/08
A procura dura
Talvez o tempo
De uma vida
Talvez o tempo
De uma ditadura
Talvez o tempo
De uma gravura
Talvez o tempo
De uma pintura
Talvez o tempo
De te ver, talvez!
Rubens Oliveira

Acontece
Que não separo nada de ti
Nem a realidade da magia
Nem o abstrato do belo
É curioso
Que na alegria não se cria
Nem poema e nem poesia
Nem sonho e nem fantasia
De repente
Na dor a claridade
Na tristeza a felicidade
No fim á amizade
É assim
É curioso
De repente
Acontece o amor!
Rubens Oliveira

Na despedida
De me três beijos
No ultimo tom
De me três beijos
Na renuncia
De me três beijos
Diga adeus
De me três beijos
E nada mais
Rubens Oliveira

Quando eu morrer
Parte de mim há de ir
Parte de mim há de ficar
Nada mais restara
Céu, lua ou mar
A terra me juntarei
Quando eu morrer
A parte que for
Nada mais restara
Da parte que ficou
Refulgirei lume
A ti me juntarei
Rubens Oliveira
